Resenha e trailer do filme Intocáveis

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Personagem Driss (em pé) e  Phillipe em cena no filme Intocáveis, ótimas atuações por parte dos dois atores.

Intocáveis, ótimas atuações por parte dos dois atores

Não há muito tempo, a comédia francesa Riviera Não é Aqui causou um alvoroço nas bilheterias, com mais de 21 milhões de espectadores, tornando-se o filme francês mais visto na França, onde o cinema é conhecido pela transgressora Nouvelle Vague. Contrariando a vanguarda, sem uma câmera na mão e filmado por um grande estúdio – Gaumont Film Company, Intocáveis trilha o sucesso do filme de 2008 tornando-se o segundo longa metragem mais assistido no país, chegando à marca de mais de 20 milhões espectadores, em apenas nove semanas de exibição no ano de 2011.

Em “Intocáveis”, dois mundos opostamente iguais se encontram.

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Versão brasileira do pôster do filme francês

O longa metragem de Olivier Nakache Eric Toledano – que também assinam o roteiro, acerta em quase todos os aspectos ao contar a história de cumplicidade entre dois homens bem diferentes. Phillipe (vivido por François Cluzet, cujos traços faciais lembram ao ator americano Dustin Hoffman, particularmente o seu nariz avantajado), um bilionário tetraplégico que contrata a pessoa mais improvável para ser seu enfermeiro, um sujeito sem experiência no ofício e com antecedentes criminais, chamado Driss (Omar Sy), que nem sequer almeja a vaga, e sim o salário do seguro desemprego.

Mas Driss não tem pena da condição de deficiente, e esse era o diferencial em seu currículo para chamar atenção do aristocrata Phillipe. Logo após se conhecerem, este, sabendo da intenção do outro em receber dinheiro do estado, e cercado por massagistas, pergunta: “Como é viver à custa dos outros?” Sem resquícios de comiseração, o sujeito pobre da periferia responde: “Não sei, você que me diz. Como é viver à custa dos outros?”. Ao invés de se afastarem com essa e outras trocas de “gentileza”, Driss e Phillipe se aproximam.

Essas duas pessoas, que vivem em mundos completamente diferentes criam um vinculo forte no qual cada uma se fortalece com a presença do outro para lidarem com a marginalidade imposta pelas circunstancias da vida. Um, bastante afortunado, mas infeliz com o pragmatismo vivido e sua deficiência, e o outro, pobre morador da periferia e primogênito de uma família de outros tantos irmãos sem perspectiva de um futuro melhor. Porém, sempre leve e feliz, com um sorriso nos lábios.

Tom leve e cômico afasta “Intouchables” de outros longas com personagens tetraplégicos

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Relação harmoniosa entre um morador da periferia francesa e um milionário tetraplégico (direita).

Com personagens assim, o mais lógico seria adentrar um viés trágico. Geralmente, os deficientes representados no cinema costumam viver um drama intenso, como nos excelentes Mar Adentro e O Escafandro e a Borboleta, e por muitas vezes corroborando o sentimento de pena que outras pessoas sem deficiência têm por elas.

No entanto, em Intocáveis, com uma abordagem leve e divertida, os dois mundos opostamente iguais se cruzam para entreter e sensibilizar o público com um ritmo cativante, ora se apropriando de uma enxurrada de piadas extremamente divertidas, sempre com um timing certeiro, e em outros momentos mais delicados. E isso se deve em muito à formidável harmonia apresentada entre os dois atores. É como se para Driss, Phillipe não fosse tetraplégico. E em dados momentos o filme faz esquecer esta condição, denotando outro ponto forte da obra.

O longa vai além ao suscitar questões inerentes a esses mundos cruzados ao questionar o valor da arte, mesmo que ainda traçando um breve panorama, a questão da perspectiva e o fato de como a cultura de determinada pessoa está intrinsicamente ligado a quanto se venera um determinado objeto artístico, podendo ser para uns o mesmo que nada, já para outros um imensurável valor.

Com uma excelente química entre os atores principais, e uma mescla do cômico com o drama sutil, Intocáveis se sobressai, foge do comum e faz de uma história que poderia ser retratada de forma pesada uma leve e prazerosa comédia, desmitificando a ideia de que uma trama com um protagonista tetraplégico precisa ser necessariamente lúgubre.

Crítica retirada do Cinema na Rede.

Trailer legendado:

Ficha Técnica 
Intocáveis (Intouchables) – 112 min.
França – 2011
Direção e roteiro: Olivier Nakache, Eric Toledano
Elenco: François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Fleurot, Clotilde Mollet, Cyril Mendy, Christian Ameri
Estreia: 31 de agosto
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